Bruno Sindona relembra obesidade: ‘A ideia é mudar os hábitos sem me agredir’

O quadro da obesidade hoje no Brasil mostra que mais da metade da população adulta apresenta excesso de peso. Na média geral, segundo a PNS 2019, 29,5% das mulheres têm obesidade — praticamente uma em cada três — contra 21,8 dos homens. Bruno Sindona, empresário e influenciador do setor imobiliário, conta que começou a engordar com seis anos de idade. Aos 12 pesava mais de 100 quilos. Ao longo da sua vida fez dietas sem acompanhamento médico, mesmo porque, a família não tinha condições financeiras. Vivia dentro do ciclo do efeito sanfona entre emagrecer e engordar.
Filho de uma família de origem italiana por parte materna e mineira por parte de pai, o empresário tem parentes que chegaram a pesar mais de 200 quilos. “Toda minha família, principalmente por parte de mãe, tinha histórico de obesidade. Era uma realidade presente em meu convívio, acostumado com a ideia de viver acima do peso e gerando uma conformidade, para não dizer aceitação, dessa condição”, diz Bruno.
Segundo ele, todo o convívio familiar era relacionado ao universo da comida sem preocupações com atividades físicas. A família se reunia para comer vinculando toda relação social e afetiva em torno da alimentação. A prioridade de Bruno desde muito jovem era o trabalho sem nunca se importar com a saúde. Compensava o stress do cotidiano com bebida, comida e prazer.
Aos 24 anos, em 2012, sua vida era marcada pela intensidade em todos os seus atos, dormindo pouco, comendo muito, bebendo de forma exagerada e sem atividade física, a pauta saúde definitivamente passava longe da sua agenda. Sua mãe, que sempre lutou com os problemas de saúde, veio falecer aos 56 anos. Como se ouvisse um sinal de alerta, a ficha caiu no sentido de não querer mais aquela vida marcada por problemas de saúde e mortes precoces.
Assustado, se atentou para o fato da família toda, pelo lado materno, ter morrido jovem por complicações ligadas a obesidade.
“Realmente me assustei com o episódio da morte da minha mãe, mesmo porque eu sabia que foi por consequência dos problemas ligados ao excesso de peso. Procurei ajuda médica e comecei a emagrecer bastante, mas sempre engordava de novo. O médico sugeriu fazer a cirurgia bariátrica e com a cirurgia perdi 30 quilos”, completa Bruno.
O médico indicou a cirurgia bariátrica menos invasiva chamada sleeve que não altera a absorção de vitaminas nem mexe no intestino, reduzindo apenas o estômago. Perde menos peso, mas melhor perder menos e conservar a saúde. Nessa época já pensava á longo prazo e em questões do futuro.
A rotina de vida após a cirurgia mudou completamente. Passou por uma mudança total de hábitos com horários para comer e dormir. Precisou reprogramar a mente através de terapias trabalhando emocionalmente contra a compulsão para controlar a ansiedade e consequentemente não fazer compensação através da comida. A pauta saúde finalmente entrou em sua vida, focando não só na questão da saúde física, mas também mental voltada para o autoconhecimento com objetivo de intensificar o condicionamento físico e psicológico.
Em abril de 2023 Bruno Sindona completa 10 anos de cirurgia bariátrica. “Venho me transformando e passando por uma regeneração total na minha saúde, forma de ver a vida e a maneira de trabalhar. Meus propósitos estão hoje conectados com a espiritualidade no sentido de me transformar criando novos conceitos para melhorar minha vida a cada dia. É uma construção. Não cheguei ao peso ideal, hoje estou com 100 quilos, mas já me aceito. A ideia é mudar os hábitos sem me agredir. As pessoas insatisfeitas com seu corpo acabam se agredindo e isso limita a capacidade de se aceitar, se gostar, se transformar, pois ninguém cuida de algo que não gosta”, reflete Bruno.
Relacionado à sua área de atuação, Bruno lembra que nossas cidades não são projetadas com espaços para práticas esportivas, áreas verdes e de lazer, principalmente nas periferias. A alternativa é ficar em casa ou frequentar barzinhos regados à comida e bebida. O encontro de convivência mais comum se resume a churrascos.
“Os ambientes são pequenos, compactos, dificultando tudo e deixando as pessoas cada vez mais enclausuradas, sentadas por muito tempo. Isso gera mais ansiedade e cria um círculo vicioso. É preciso mudar os hábitos, combater diariamente a ansiedade, priorizando o autocuidado, o autoconhecimento, aumentando a autoestima”, finaliza o empresário.